Ao longo dos últimos dois meses, diversos estudos foram publicados sobre o impacto da IA no mercado de trabalho e na gestão de pessoas e lideranças. Ao conversarmos com profissionais do Direito, é perceptível que todos estamos em dúvida sobre como a IA vai atuar. Será que ela vai roubar empregos? Ela ajuda ou atrapalha? Espero que este artigo te ajude a refletir sobre o tema.
A primeira questão que quero trazer é: quando pensamos que a IA pode reduzir custos, isso acontece pela substituição de trabalhos anteriormente feitos por estagiários e funcionários júniores. Porém, quando esses trabalhos são substituídos por IA, perdemos a oportunidade de formar novos profissionais. Afinal, ninguém nasce pleno, sênior ou coordenador; primeiro passa pela operação e depois vai crescendo conforme adquire experiência.
Além da dificuldade que estamos criando para formar novas lideranças, vale destacar também que, hoje, a maioria das empresas e funcionários reconhece que a gestão não está preparada para gerenciar times híbridos (que combinam agentes humanos e agentes de IA), nem para liderar a transformação do modelo de trabalho e a adoção de ferramentas com Inteligência Artificial.
Com este contexto, vamos aprofundar o tema para o mercado jurídico: há 2 anos, debates sobre regulação vão e vêm no Congresso Nacional e na OAB para regular o uso da IA e de outras ferramentas de automação no âmbito jurídico. Porém, a velocidade dos debates não acompanha a evolução das ferramentas, o que pode gerar uma regulação obsoleta. Além disso, as principais legaltechs e lawtechs do mercado jurídico já adotaram o uso de IA dentro de suas soluções ou se tornaram AI-Centric para entregar valor ao cliente.
Enquanto isso, sócios, controllers, diretores jurídicos e todos que atuam em departamentos jurídicos corporativos ou escritórios tentam implantar soluções em seus times, mas sem clareza plena do que ou como implantar. Abaixo, deixo alguns direcionamentos que podem ajudar na implantação e alocação de recursos de IA no dia a dia operacional:
1. Métricas operacionais bem definidas
A maioria dos escritórios com quem conversamos sempre quer inovar, otimizar e evoluir os processos, às vezes buscando escala. Mas, na maioria das vezes, não consegue ser eficiente justamente porque não sabe onde está o gargalo. Indicadores operacionais bem definidos ajudam nisso. Por exemplo:
- Uso de timesheet para medir o tempo gasto com tarefas como: pesquisa jurídica, redação de petições, alimentação de sistemas;
- Controle de agenda: volume de publicações tratadas por advogado, quantidade de tarefas similares (petição, levantamento de alvará, diligência, etc.) que se repetem, cliente que mais possui tarefas;
- Pedidos por processo: quais os pedidos que mais se repetem e quais as teses que mais aparecem por cliente?
São métricas simples e operacionais, mas que, se medidas com precisão e frequência, propiciam uma melhor identificação dos gargalos e direcionam a tomada de decisões.
2. Tomada de decisão baseada em dados
Apenas mensurar a produtividade e resultados não basta; é preciso usar os dados a favor das decisões que precisam ser tomadas.
Considere que o investimento em ferramentas de Inteligência Artificial tem um valor elevado comparado a outras tecnologias, porém geram escala e retornos financeiros na mesma proporção. Sendo assim, quando a tarefa, etapa ou processo que será automatizado ou otimizado com o uso de tecnologia for escolhido, o controle de resultado será mais preciso. Você terá uma fotografia do antes e depois do uso da IA, com maior facilidade.
Ferramentas como o painel de timesheet do LawVision Gestão Jurídica conseguem te ajudar a ter essa mensuração de resultados de maneira mais fácil e precisa.
3. Programa de desenvolvimento de pessoas
Por fim, quero trazer a importância de desenvolver as pessoas para utilizar a IA a seu favor, em vez de ter medo de usá-la. Quantos treinamentos seu time já recebeu sobre como a IA pode ser utilizada no dia a dia? Qual incentivo você, líder ou sócio, já deu aos seus liderados para propor melhorias utilizando tecnologia?
Quando as pessoas são desenvolvidas e estimuladas a adotar novas ferramentas, além de incentivadas a compartilhar isso com os demais, a tendência é que todos consigam se beneficiar. Além disso, todos se sentem parte da construção da cultura do escritório ou departamento, o que garante que o desenvolvimento de novas lideranças aconteça dentro de casa.
Para estimular o debate, te convido a conhecer a plataforma de Analytics do LawVision, que possui dados que vão ajudar você a tomar melhores decisões para o seu time, além da nossa IA que gera insights ricos para direcionar a análise de dados robustos. Compartilhe este artigo com quem está buscando implantar uma cultura de dados e escolher as melhores ferramentas para alocar corretamente na operação diária.
Por Matheus Santil
Head of Sales & Business Development | LawVision
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